Use as reticências para indicar que uma frase foi interrompida, que alguém hesita ou deixa uma ideia em suspenso, e para marcar trechos omitidos em citações, nesse caso entre colchetes: [...]. São sempre três pontos, sem espaço antes e com espaço depois.
Elas transmitem emoção, dúvida e subentendidos, por isso aparecem muito em diálogos, na literatura, na publicidade e em mensagens informais. Em textos formais e argumentativos, o uso é bem mais restrito, e saber quando não usá-las é tão importante quanto saber quando usá-las.
Quando usar reticências
- Interrupção da fala ou do pensamento: Se eu tivesse saído mais cedo... / — Eu queria contar uma coisa... Esquece.
- Hesitação, timidez ou dúvida: — Eu... eu não sei se consigo.
- Prolongamento de uma ideia ou emoção, deixando ao leitor completar o sentido: E assim terminou o verão... sem despedidas.
- Ironia ou malícia: Ele prometeu chegar cedo... como sempre.
- Retomada de uma fala ou de um pensamento já iniciado, no começo da frase, comum em narrativas e roteiros: — ...e foi assim que a nossa banda começou a tocar em festas do bairro.
- Enumeração que poderia continuar: Na feira havia de tudo: frutas, verduras, flores, temperos... Nesse caso, não use etc. junto com as reticências.
- Supressão de trecho em citação, com as reticências entre colchetes, como recomendam as normas da ABNT: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza [...]” (art. 5º da Constituição Federal). Em livros e jornais também se encontra a forma entre parênteses: (...).
Como escrever reticências corretamente
- São exatamente três pontos. Nem dois, nem quatro, nem uma fileira deles.
- Ficam coladas à palavra anterior, com espaço depois: Bem... vamos ver.
- Se a frase termina com reticências, não se acrescenta ponto final: Ficou esperando... e não Ficou esperando....
- Podem ser combinadas com interrogação ou exclamação: Será que ele vem...?
- Maiúscula ou minúscula depois? Se as reticências encerram a frase, a seguinte começa com maiúscula: Esperei... Ninguém apareceu. Se a frase continua, segue a minúscula: Esperei... esperei... e nada.
- No computador, você pode digitar três pontos ou usar o caractere único de reticências (…), que muitos editores inserem automaticamente. As duas formas estão corretas.
Reticências ou ponto final? O tom muda
Trocar o ponto final por reticências altera o sentido da frase, principalmente em mensagens escritas, em que o leitor não ouve a sua voz. Compare:
- Tudo bem. Concordância simples, sem ressalvas.
- Tudo bem... Pode sugerir contrariedade, cansaço ou um “mas” que não foi dito.
- Chego amanhã. Informação objetiva.
- Chego amanhã... se o voo não atrasar. A pausa cria expectativa e destaca a condição.
Por isso, em e-mails de trabalho, respostas a clientes e mensagens importantes, prefira o ponto final. Assim você evita que o destinatário leia na pausa uma intenção que você não teve.
Erros frequentes com reticências
- Usar mais ou menos de três pontos. Errado: Não sei.. talvez amanhã. Certo: Não sei... talvez amanhã.
- Juntar reticências e etc. Errado: Comprei lápis, canetas, cadernos etc... Certo: Comprei lápis, canetas, cadernos etc. ou Comprei lápis, canetas, cadernos...
- Colocar espaço antes. Errado: Eu achei ... que fosse você. Certo: Eu achei... que fosse você.
- Usar reticências no fim de todas as frases, como em mensagens de celular. Em excesso, elas deixam o texto vago e podem soar como desânimo, insegurança ou irritação, mesmo quando essa não é a intenção.
- Usar reticências para fugir da conclusão. Em relatórios, e-mails de trabalho e respostas de prova, uma ideia deixada em suspenso parece falta de argumento.
Reticências na redação do ENEM
Na dissertação argumentativa, evite reticências para encerrar ideias. O texto precisa ser claro e conclusivo, e frases em suspenso passam a impressão de raciocínio incompleto. O uso adequado é o da citação com trecho omitido, marcado com [...], quando você aproveita parte de uma lei, de um documento ou da fala de um autor como repertório. Mesmo assim, confira se o trecho citado continua fazendo sentido depois do corte e se ele não distorce a ideia original do autor. Na conclusão, então, nada de reticências: a proposta de intervenção deve terminar com ponto final.
Dica prática
Antes de usar reticências, pergunte-se o que você quer que o leitor perceba: uma pausa, uma dúvida ou uma ironia. Se não houver uma intenção clara, troque-as por ponto final. Em textos de trabalho e na escola, uma frase bem terminada comunica melhor do que uma ideia deixada no ar. Nas conversas informais e na ficção, por outro lado, elas são um recurso expressivo legítimo, desde que usadas com moderação.
Cole seu texto no corretor desta página para verificar reticências, vírgulas e os demais sinais de pontuação, além da ortografia.