Reticências: quando usar e como escrever corretamente

Use as reticências para indicar que uma frase foi interrompida, que alguém hesita ou deixa uma ideia em suspenso, e para marcar trechos omitidos em citações, nesse caso entre colchetes: [...]. São sempre três pontos, sem espaço antes e com espaço depois.

Elas transmitem emoção, dúvida e subentendidos, por isso aparecem muito em diálogos, na literatura, na publicidade e em mensagens informais. Em textos formais e argumentativos, o uso é bem mais restrito, e saber quando não usá-las é tão importante quanto saber quando usá-las.

Quando usar reticências

  1. Interrupção da fala ou do pensamento: Se eu tivesse saído mais cedo... / — Eu queria contar uma coisa... Esquece.
  2. Hesitação, timidez ou dúvida: — Eu... eu não sei se consigo.
  3. Prolongamento de uma ideia ou emoção, deixando ao leitor completar o sentido: E assim terminou o verão... sem despedidas.
  4. Ironia ou malícia: Ele prometeu chegar cedo... como sempre.
  5. Retomada de uma fala ou de um pensamento já iniciado, no começo da frase, comum em narrativas e roteiros: — ...e foi assim que a nossa banda começou a tocar em festas do bairro.
  6. Enumeração que poderia continuar: Na feira havia de tudo: frutas, verduras, flores, temperos... Nesse caso, não use etc. junto com as reticências.
  7. Supressão de trecho em citação, com as reticências entre colchetes, como recomendam as normas da ABNT: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza [...]” (art. 5º da Constituição Federal). Em livros e jornais também se encontra a forma entre parênteses: (...).

Como escrever reticências corretamente

  • São exatamente três pontos. Nem dois, nem quatro, nem uma fileira deles.
  • Ficam coladas à palavra anterior, com espaço depois: Bem... vamos ver.
  • Se a frase termina com reticências, não se acrescenta ponto final: Ficou esperando... e não Ficou esperando....
  • Podem ser combinadas com interrogação ou exclamação: Será que ele vem...?
  • Maiúscula ou minúscula depois? Se as reticências encerram a frase, a seguinte começa com maiúscula: Esperei... Ninguém apareceu. Se a frase continua, segue a minúscula: Esperei... esperei... e nada.
  • No computador, você pode digitar três pontos ou usar o caractere único de reticências (…), que muitos editores inserem automaticamente. As duas formas estão corretas.

Reticências ou ponto final? O tom muda

Trocar o ponto final por reticências altera o sentido da frase, principalmente em mensagens escritas, em que o leitor não ouve a sua voz. Compare:

  • Tudo bem. Concordância simples, sem ressalvas.
  • Tudo bem... Pode sugerir contrariedade, cansaço ou um “mas” que não foi dito.
  • Chego amanhã. Informação objetiva.
  • Chego amanhã... se o voo não atrasar. A pausa cria expectativa e destaca a condição.

Por isso, em e-mails de trabalho, respostas a clientes e mensagens importantes, prefira o ponto final. Assim você evita que o destinatário leia na pausa uma intenção que você não teve.

Erros frequentes com reticências

  • Usar mais ou menos de três pontos. Errado: Não sei.. talvez amanhã. Certo: Não sei... talvez amanhã.
  • Juntar reticências e etc. Errado: Comprei lápis, canetas, cadernos etc... Certo: Comprei lápis, canetas, cadernos etc. ou Comprei lápis, canetas, cadernos...
  • Colocar espaço antes. Errado: Eu achei ... que fosse você. Certo: Eu achei... que fosse você.
  • Usar reticências no fim de todas as frases, como em mensagens de celular. Em excesso, elas deixam o texto vago e podem soar como desânimo, insegurança ou irritação, mesmo quando essa não é a intenção.
  • Usar reticências para fugir da conclusão. Em relatórios, e-mails de trabalho e respostas de prova, uma ideia deixada em suspenso parece falta de argumento.

Reticências na redação do ENEM

Na dissertação argumentativa, evite reticências para encerrar ideias. O texto precisa ser claro e conclusivo, e frases em suspenso passam a impressão de raciocínio incompleto. O uso adequado é o da citação com trecho omitido, marcado com [...], quando você aproveita parte de uma lei, de um documento ou da fala de um autor como repertório. Mesmo assim, confira se o trecho citado continua fazendo sentido depois do corte e se ele não distorce a ideia original do autor. Na conclusão, então, nada de reticências: a proposta de intervenção deve terminar com ponto final.

Dica prática

Antes de usar reticências, pergunte-se o que você quer que o leitor perceba: uma pausa, uma dúvida ou uma ironia. Se não houver uma intenção clara, troque-as por ponto final. Em textos de trabalho e na escola, uma frase bem terminada comunica melhor do que uma ideia deixada no ar. Nas conversas informais e na ficção, por outro lado, elas são um recurso expressivo legítimo, desde que usadas com moderação.

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Perguntas frequentes

Quantos pontos têm as reticências?

Sempre três. Dois ou quatro pontos não seguem a norma, e, se a frase termina com reticências, não se acrescenta o ponto final.

Reticências ou etc.: qual usar?

Os dois indicam que a enumeração poderia continuar, mas não devem aparecer juntos. Em textos formais, prefira etc.; as reticências dão um tom mais expressivo e informal.

Posso usar reticências na redação do ENEM?

Pode, mas com cuidado. Para encerrar ideias, elas deixam o argumento vago; o uso mais seguro é o [...] para indicar um trecho omitido em uma citação.

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