Citar é mostrar ao leitor de onde vem cada palavra ou ideia que não é sua. No Brasil, a maioria das escolas, faculdades e revistas segue as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT): a NBR 10520 trata das citações no texto e a NBR 6023, da elaboração das referências. Uma citação bem feita é o que separa o uso legítimo de uma fonte do plágio.
Sistema autor-data
O sistema mais usado em trabalhos acadêmicos é o autor-data: no texto, você indica o sobrenome do autor e o ano da publicação, e a obra completa aparece na lista de referências, em ordem alfabética. A chamada pode aparecer de duas formas:
- Integrada à frase: Segundo Silva (2020), a leitura frequente amplia o vocabulário.
- Entre parênteses, no fim: A leitura frequente amplia o vocabulário (Silva, 2020).
Existe também o sistema numérico, em que as fontes são indicadas por números que remetem a uma lista. Em um mesmo trabalho, use apenas um dos sistemas. Nos exemplos deste guia, Silva e Souza são autores fictícios.
Citação direta curta
É a transcrição literal de até três linhas. Ela fica dentro do parágrafo, entre aspas duplas, com autor, ano e página:
Para Silva (2020, p. 45), “quem lê com frequência encontra palavras que raramente ouviria em conversas”.
A transcrição deve ser fiel ao original. Se você omitir uma parte, indique a supressão com reticências entre colchetes: [...].
Citação direta longa
A transcrição com mais de três linhas fica em parágrafo próprio, com recuo da margem esquerda (em geral de 4 cm), letra menor que a do texto, espaçamento simples e sem aspas. Autor, ano e página continuam obrigatórios. O tamanho exato da letra e outros detalhes de formatação seguem o modelo da instituição.
Citação indireta
É a ideia do autor escrita com as suas palavras, ou seja, uma paráfrase. Não leva aspas, mas exige autor e ano. A página é opcional, embora muitos professores prefiram que ela seja indicada.
A exposição repetida a palavras pouco usadas na fala cotidiana explica parte do ganho de vocabulário dos leitores frequentes (Silva, 2020).
Citação de citação
Quando você leu a ideia de um autor no texto de outro, sem ter acesso à obra original, use a expressão apud (citado por): Souza (1998 apud Silva, 2020, p. 50). Na lista de referências entra a obra que você realmente consultou. Use esse recurso só quando não for possível chegar ao original.
Referências segundo a NBR 6023
Toda fonte citada no texto deve aparecer na lista de referências, no fim do trabalho. O modelo básico para livros é:
SOBRENOME, Nome. Título: subtítulo. Edição. Local: Editora, ano.
O título recebe um destaque, normalmente negrito, aplicado da mesma forma em toda a lista. Para páginas da internet, acrescente o endereço eletrônico depois de “Disponível em:” e a data de consulta depois de “Acesso em:”, como em “Acesso em: 10 mar. 2026”.
O que mudou na revisão de 2023
A NBR 10520 foi revisada em 2023 e alterou alguns detalhes. O mais visível é a grafia do sobrenome do autor nas chamadas entre parênteses: antes ele aparecia todo em letras maiúsculas, como em (SILVA, 2020), e com a nova versão passou a ser escrito, em geral, só com a inicial maiúscula, como em (Silva, 2020). Como muitas instituições ainda adaptam os seus manuais, siga sempre o manual de normalização da sua faculdade ou as orientações do professor.
Erros de citação que levam ao plágio
- Copiar um trecho sem aspas, mesmo indicando o autor no fim do parágrafo.
- Indicar a fonte no texto e esquecer de incluí-la nas referências.
- Citar o autor original quando, na verdade, você leu a ideia em outro texto.
- Usar aspas, mas alterar palavras do trecho transcrito.
Depois de revisar as citações, use o verificador de plágio desta página para encontrar trechos coincidentes com páginas da web. As citações corretas também vão aparecer, e isso é esperado: uma coincidência não é plágio quando o trecho está entre aspas e com a fonte. A ferramenta ajuda na revisão, mas a responsabilidade pelas citações é de quem escreve, e a avaliação final é do professor ou da banca.